quinta-feira, janeiro 20, 2011

Dos abismos

Às vezes, fechava os olhos e acordava para dentro. Sentia-se como se tomasse uma gigantesca escada em caracol que leva a abismos. Às vezes, a superfície era plácida como o mar sem ventania, mas, por dentro, havia uma profusão de cavalos negros, a correr.

Dentro, o sangue a pulsar, um exército vermelho nas veias, uma descendência de Eva, artérias com sinuosidade de serpente. Havia fome e sede, havia trens descarrilhados, havia carruagens governadas por cavalos, e não por cocheiros.

Havia algum lugar inabitável, inóspito, de vermelho chão de Marte, encarnado, escarlate. Havia tudo o que pode explodir a qualquer momento. E, afortunadamente, com a Graça do mundo, eis que tais abismos irrompem na superfície como a lava de um vulcão. Destroçam tudo ao redor, instauram o caos, revolvem a terra e trocam coisas de lugar. Como uma bênção que só pode adentrar a casa estilhançando vidraças, essa incandescência noticia:

"Estás viva".
Salaam
Layla

Imagem: Obra da genial Teresa Costa Rêgo, "Paisagem em vermelho". Disponível em: www.terezacostarego.com.br

2 Pitacos:

Anonymous Anônimo falou...

VOCÊ ME LEU

1/21/2011 06:56:00 PM  
Blogger Turmalina falou...

Eu tinha sonhos semelhantes quando criança...

12/30/2011 09:42:00 PM  

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