quinta-feira, janeiro 18, 2007

Das presenças invisíveis

"Saudade é solidão acompanhada". Foi assim que disse meu querido Neruda. Ele que me entende há tanto tempo, e que tantas vezes já foi recitado ao telefone, justamente porque eu sabia que aquelas palavras tinham o dom de costurar fendas, fechar vales, e unir o que está distante.

Solidão acompanhada. É assim que me sinto. Não há ninguém nesta sala além do par de olhos negros que me observa há quilômetros de distância. Nada além da presença invísível. É quase tangível. Como se eu pudesse tocar, com braços de sonho.

É madrugada. Estou sentada diante da tela fria, e tantas borboletas azuis voam ao meu redor. Rodopiam, sobem e descem, aglomeram-se no teto. E a canção que toca é colorida, e vejo as notas saírem da caixa de som. A pintura de Boticelli balança os cabelos e sorri, e o quadro de Klimt encena há horas um beijo profundo. Vê o que teus olhos fazem com minha casa. Vê como ela se ilumina quando estás aqui dentro.

Salaam
Layla

6 Pitacos:

Blogger Brisa falou...

E das flores faça brilhos que tu levas de presente em teu olhar!
Sê benvinda sempre!
Meu carinho

1/18/2007 07:58:00 AM  
Anonymous Quel falou...

Oi...
Passando por aqui pela primeira vez.Concordo plenamente com Clarissa Pinkola, "Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração".
Eu tb me interesso mto por historia, alias, nao é um interessa, é uma paixao.Tb amo dança do Ventre, fiz aula uns tempos.
Bem sinestésicos seus escritos."Das presenças invisíveis" é completamente ceciliano.
Parábens!

1/18/2007 06:09:00 PM  
Blogger Brisa falou...

Ah!

E mudei a música pra ficar mais de acordo com o que você disse! :)

Beijinhos

1/18/2007 07:16:00 PM  
Blogger Turmalina falou...

Sempre presente!!!
Beijo precioso

1/18/2007 10:36:00 PM  
Blogger felipe_pinheiro falou...

chamou-me atenção essa coisa de recitar por telefone. sem desprezar o resto de suas palavras.

acontece é que eu já fiz isso também.
mas, eu meio que gaguejava. rs

2/10/2007 12:21:00 PM  
Anonymous Mone falou...

Engraçado o poder de um simples telefonema,né. Aconteceu comigo agora a pouco.
Chateada, aborrecida, depressiva, sem rumo, vazia, sem expectativas. Hoje é um dia desses. Desapareceram todos os sentidos da vida.
Em instantes fica claro que um braço forte, uma mão amiga, um calor envolvente não passaram de ilusão. Que bom que o véu da ilusão foi levantado e a mentira pode ser vista e dissipada.
Havia, porém uma grande verdade. Uma verdade regada à vida, adubada com toda a minha energia. Essa verdade parece estar sendo guiada para outro jardim. Essa verdade deixa um buraco.
Foi assim, como um “grande nada enlutecido” que falei ao telefone com alguém eternamente especial. Não estava inspirada a falar, não havia nada a ouvir. Minha tentativa de desligar, dizendo querer deixá-lo em paz, pois estava uma mala-sem-alça foi calada com a seguinte fala:-
“Para carregar uma mala-sem-alça ela tem que ser abraçada.”
Diante desta fala há algo mais a retrucar?
Num instante o braço forte, a mão amiga e o calor envolvente passam a não mais ser ilusão. A verdade continua sendo guiada a outro jardim, mas a mentira se transmuta em uma sinceridade morna, aconchegante, acolhedora, e fica claro que esse alguém eternamente especial é o que sempre houve e haverá.

2/12/2007 01:29:00 PM  

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