sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Le Fabuleux Destin

Sou uma pessoa noturna. Não é de se admirar que eu me chame “noite”, em árabe. Nas férias, aproveito para degustar plenamente as madrugadas, e meu relógio biológico funciona como ele mais gosta: durmo durante o dia e aproveito depois a companhia do mar de estrelas e a presença amigável da lua.

Hoje foi assim. Desenhei até as sete e meia da manhã, quando fui dormir. Entretanto – e para minha surpresa – despertei às dez da manhã. Como há tanto tempo não ocorria. Não sei por quê. Senti o cheiro de pão fresco na rua, levantei-me e me pus a caminhar.

Caminhar, caminhar a esmo, e há quanto eu não fazia isso! Caminhar olhando para as árvores, e percebendo as lindas flores amarelas que as enfeitavam e forravam o chão, deixando-o parecido com um quadro de Van Gogh. Caminhar ouvindo os pássaros que voavam, aos pares, desfrutando de um namorico leve e barulhento. Caminhar dando bom-dia aos transeuntes e brincando com os cachorros da rua.

Coisa de cinema. Um plágio de Amélie Poulain, alguns diriam. Mas não era. Era apenas a vida. A vida sorrindo um sorriso largo, como há muito não acontecia. Há muito tempo eu não acordava plena de vontade. Uma vontade incontrolável. Uma vontade desesperada. Aterradora. Uma descomunal vontade de viver. De sorver a vida em goles largos, e saboreá-la nos mínimos detalhes.

Vontade de chegar em casa, e colocar aquele cd de música francesa para tocar. E de comer a minha comida preferida. E de telefonar para uma amiga querida, e dizer que a adoro, e que estou muito feliz hoje, e precisava dizer isso a alguém.

E eu fiz isso tudo.

Hoje, no dia em que a Beduína sorriu para o mundo, e que as flores ficaram felizes.

“Quando piso em flores
Flores de todas as cores
Vermelho-sangue
Verde-oliva
Azul-colonial
Me dá vontade de voar sobre o planeta
Sem ter medo da careta
Na cara do temporal

Desembainho a minha espada cintilante
Cravejada de brilhantes
Peixe-espada, vou pro mar
O amor me veste com o terno da beleza
E o saloon da natureza
Abre as portas pr’eu dançar...”

(Zeca Baleiro, “Boi de Haxixe”)

Salaam
Layla

:)

1 Pitacos:

Blogger Turmalina falou...

Oi Laylica
Faz muito tempo que não ando à esmo...lembro de fazer muito isto qdo morava em São Paulo.É bom demais... é o sentimento de liberdade, liberdade para ser feliz!
Grande beijo

2/05/2006 06:50:00 PM  

Postar um comentário

<< Início